Maria Rosa님의 프로필Refúgio in the rock사진블로그방명록기타 ![]() | 도움말 |
|
|
2008년 12월 Morte desconhecidaMORTE DESCONHECIDA
Á esta madrugada, às 03:32 hs, morre Aparecida. Mas quem é Aparecida? É o que os leitores devem estar naturalmente se perguntando. Talvez respondesse se dissesse que Aparecida é só mais uma moça, das tantas faveladas da Praia do Pinto, que fica atrás do Leblon. Se dissesse que Aparecida saiu de uma infância de brincadeiras na lama para uma vida adulta precoce, sendo forçada pelas circunstancias a trabalhar, dia e noite vendendo os bolos de sua mãe, para ter o que comer no dia seguinte. Talvez também acrescentasse a informação de que, em seu barraco de zinco e madeira, a água era quase sempre suja e a comida sempre pouca. Mas ainda se detalhasse sua morte, ainda que falasse da suspeita de homicídio por trás do incêndio acidental que tirou-lhe a vida, ainda restaria a dúvida: Quem é Aparecida? O que teria de extraordinário essa menina-moça que como tantas outras são privadas de viver todos os dias? Então terei de modificar minha resposta para saciar a curiosidade dos que, por qualquer motivo não desistiram de ler esta matéria ainda nas primeiras linhas. Que se revele quem era Aparecida. Aparecida era a moça que da porta improvisada do seu mundo de pobreza, fome e doença; deslumbrava-se com um mundo dos ricos, tão grande quanto bonito. Um mundo que quase tocava o céu em seus blocos de apartamentos, os quais nem em pensamento poderiam ser seu. O mundo tão colorido e alegre quanto distante aos olhos da menina, que em seu vocábulo simples, ignorava a dimensão da palavra esperança, quanto mais o significado de mudança. Sua visão não era de quem aprende a se conformar diante dos enormes obstáculos sociais; era tão menor como inocente. Era a visão de uma menina que desconhecia a possibilidade de melhorar tanto quanto ignorava as razões de tais obstáculos. Para ela a distancia do morro em que morava aos prédios que tanto a encantava era determinada pela mesma, boa ou má, sorte que causou aquele acidente com a vela. Possibilidade de homicídio? Talvez. Mas certamente que não foi aquela mesma vela que a havia privado de viver até então. Para finalizar esta matéria que trata da morte desconhecida de uma desconhecida, cabe-nos ainda uma pergunta. Quem matou aparecida? Diante do exposto, a resposta desta deixo por conta do conhecimento critico dos meus caros leitores que, por algum motivo desconhecido leram esta matéria até suas ultimas linhas.
(DRG)
resenha publicada em CARPE DIEM, edição 1, ano 1, dezembro de 2005 |
|
|